domingo, 21 de fevereiro de 2016

À MESA COM O VALOR - NANDO REIS

Em almoço em sua casa, cantor e compositor são-paulino diz gostar de música em disco físico e que a internet é uma “praga”. Por Tom Cardoso, para o Valor, de São Paulo
 

Roqueiro em
dois tempos


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Goles diários de angústia - José Castello

A mitológica relação entre bebida e arte sempre existiu.Agora, ensaísta britânica investiga como o alcoolismo afetou a vida de grandes escritores. 

Por José Castello, para o Valor, de Curitiba 12/02/2016




São muitos os grandes escritores que travaram uma difícil luta contra o álcool. Ernest Hemingway, Tennessee Williams, Patricia Highsmith, Truman Capote, Dylan Thomas, Marguerite Duras, Jack London, Elizabeth Bishop, Raymond Chandler — a lista, proposta pela ensaísta Olivia Laing em “Viagem ao Redor da Garrafa” (trad.: Hugo Langone, Rocco, 320 págs., R$ 44,50), é eloquente. Falando a respeito de Edgar Allan Poe, o poeta Charles Baudelaire disse, certa vez, que “o álcool se tornara uma arma para matar algo dentro dele mesmo,um verme que não queria morrer”. O alcoolismo surge, a princípio, como um recurso de defesa pessoal. Que logo se volta contra aquele que se defende. Defende de quê? O que é esse “verme que não queria morrer”de que falava Baudelaire?


“Quatro dos seis escritores americanos que venceram o Nobel de Literatura eram alcoólatras”, lembra Olivia. As causas do alcoolismo, porém, são esquivas. Na verdade, não existe um único sistema, um padrão fixo, que explique por que uma pessoa se torna alcoólatra. Esse é justamente o grande problema do livro de Olivia Laing: ela luta, desesperadamente, para chegar a uma “explicação”. Só que não existe uma explicação única e é isso o que seu livro, apesar das boas intenções da autora, termina por mostrar.

Foram muitas as grandes parcerias de copo — como o laço de amizade que uniu Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald. Esses vínculos afetivos, contudo, não asseguram uma origem comum. Em seu livro, Olivia procura características psicológicas que uniriam os escritores alcoólatras. Uma mãe autoritária e um pai fraco.Um forte autodesprezo e a sensação contínua de inadequação. A tendência à promiscuidade. Os conflito quanto à própria sexualidade. “Vidas assim parecem trágicas, parecem pertencer a pródigos e dissolutos”, diz a autora.


Contudo, tudo se torna simplista demais. Todos experimentamos,em algum momento da vida, problemas com nossos pais. Todos nos sentimos, em algumas situações, deslocados e inadequados. A sexualidade é, inevitavelmente, um terreno cheio de dúvidas. Não: não dá para traçar, como Olivia se esforça para fazer, um “retrato do alcoólatra”. A moldura sempre se quebra.


Ela se concentra na vida de seis autores: F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, John Cheever, John Berryman e Raymond Carver. A arbitrariedade inevitável dessa escolha traz um primeiro problema: o que garante que esses seis escritores dividem um mesmo padrão? Um vínculo entre eles seria o amor pelas viagens. A própria Olivia parece sofrer desse “vício”: seu livro, no fim das contas, é uma grande reportagem de aventura. Em uma tentativa inglória para reconstruir o passado, ela repisa os passos e os deslocamentos de seus biografados. Tenta incorporá-los — como se só através da possessão uma respost pudesse se formar.


O próprio Tennessee Williams tentou generalizar: “Quase todos os escritores americanos têm problemas com o álcool porque há na escrita uma tensão enorme”. Defrontados com esse estado de ameaça contínua, a maior parte dos escritores deseja desaparecer do mundo — e o álcool se oferece como uma borracha capaz de apagar os vínculos com o real. Ansiedade, a ameaça das fobias e mesmo da loucura, a timidez justificariam o desejo de desaparecer. Mas só entre os que se tornam alcoólatras?


A autora sai em busca de psiquiatras e outros especialistas que a ajudem a encontrar “explicações científicas”. Narra sua aventura na primeira pessoa, o que torna a leitura de seu livro, sem dúvida, mais atraente. Busca as inevitáveis raízes da infância. Sobre John Cheever, por exemplo, ela escreve: “Foi um menino franzino e solitário,uma criança um pouco afeminada”, que não conseguia se livrar da sensação de que não passava de um impostor. Buscando outro padrão, Olivia constata que tanto Fitzgerald como Hemingway sofriam de insônia. Mede a intensidade do sofrimento psicológico “a partir dos esforços feitos para evitá-lo”. A própria literatura faria parte desses esforços.


Há sempre, porém, a presença do inesperado. Como quando, depois de uma bebedeira, Fitzgerald fica observando Hemingway “com olhos de pássaro sem nenhuma expressão”. O álcool produz, algumas vezes, pensamentos tenebrosos e aniquiladores. Imagens que não se classificam.


Constata Olivia que o desejo de beber costuma vir encoberto por “desculpas, por omissões, por mentiras descaradas”. Seu biografados experimentam, em um momento ou em outro,o desejo de se esconder “sob um casaco pesado”. Muitos deles defendem a existência de aspectos positivos no alcoolismo. Fitzgerald disse certa vez: “A bebida aumenta o sentir. Quando bebo, minhas emoções crescem”. Hemingway ajuda o amigo: “Quando as coisas estavam bem ruins, eu sempre conseguia tomar um trago e logo as coisas ficavam bem melhores”.


Os sentimentos estranhos, e inclassificáveis, contudo, se tornam obstáculos para o evidente desejo de controle que move o projeto da autora. Cheever, por exemplo, falava “da estranha impressão” de que estava “em dois lugares ao mesmo tempo”. Olivia trat de relativizar essa imagem: “Como biógrafos, não devemos confiar inteiramente e Cheever”. O próprio poeta, em certo momento, escreve: “Devo convencer-me de queescrever não é uma vocação autodestrutiva”.


Para furar a espessa cortina que envolve o alcoolismo, Olivia persegue mecanismos psicológicos regulares, na esperança de que eles organizem melhor suas ideias. Sobre Tennessee Williams, por exemplo, diz ser “um clássico caso de alcoólatra que tenta machucar a si mesmo machucando aqueles que lhes são mais caros”. Contudo, em seus “Diários”, o próprio Williams se pergunta: “Porventura morri por minhas próprias mãos ou fui destruído lenta e brutalmente por um grupo conspiratório?”


Enquanto luta para se aproximar da verdade, o que Olivia evita é a própria complexidade dessa verdade. Quando sua mulher o deixou, John Berryman já estava destruído “pela ansiedade, pela bebedeira, pela promiscuidade e por sua culpa venenosa”. A culpa, de fato, parece ser uma constante, mas também ela se refere a motivações e fundamentos muito diversos entre si. Outro fator repetitivo parece ser a negação, isto é, a recusa a admitir que existe um problema. E também o que Olivia chama de “ilusões sinceras”, isto é, “as ilusões em que o alcoólatra genuinamente acredita”. Mas cada um tem as próprias ilusões e os próprios artifícios.


A autora se recorda de Saul Bellow que, no prefácio de “Recuperação”, romance de Berryman, nos diz que “a inspiração continha uma ameaça de morte, ao escrever ele sucumbia”. Vida e morte estão, de fato, interligados e, ao mesmo tempo, alimentam e destroem os processos criativos. Não são elos fáceis de capturar.Avida, por mais coerente que pareça, é sempre mais incoerente e densa que qualquer padrão.

À MESA COM O VALOR - JORGE MAUTNER - O criador do Kaos

 À MESA COM O VALOR - JORGE MAUTNER

 O criador do Kaos

A liberdade de expressão e o otimismo em relação ao Brasil são marcas do poeta e músico, que diz: “Ou o mundo se ‘brasilifica’ ou vira nazista”.

 Por Tom Cardoso, para o Valor, do Rio 12/02/2016



Anda meio deprimido? Almoce com Jorge Mautner. Zika vírus, Samarco, Lava-Jato, recessão, desemprego, inflação? Nada é capaz de diminuir o otimismo do músico e poeta pelo Brasil. Não, ele não é uma versão real da Velhinha de Taubaté, a ingênua e crédula personagem criada por Luis Fernando Verissimo durante o mandato do presidente João Baptista Figueiredo (1979-1985), transformada em celebridade por ser a única a acreditar no governo.


Nada do que Mautner diz é raso, desprovido de argumento. Em cinco minutos de conversa, ele já havia citado frases do escritor e músico indiano Rabindranath Tagore (“A civilização superior do amor nascerá do Brasil”) e do filósofo francês Jacques Maritain (“O único lugar onde a justiça e a liberdade poderão aflorar juntas é o Brasil”) para corroborar sua tese, cada vez mais incompreendida, de que somos não só um país bem-sucedido como devemos dar exemplos aos outros. Aliás, Mautner criou o seu aforismo sobre o tema, já transformado em mantra e em letra de música: “Ou o mundo se ‘brasilifica’ ou vira nazista”.


O músico chega ao restaurante Degrau, no Leblon, ao lado de João Paulo Reys, que organizou, com Maria Borba, o seu novo livro, “Kaos Total” (Companhia das Letras). Trata-se de uma compilação de letras, textos, poesias, fragmentos de prosa poética (muitos deles inéditos) e pinturas naïf (uma faceta pouco conhecida de Mautner) que ajuda a explicar as razões e os motivos para tanto otimismo. O livro vai ser lançado em São Paulo, na quarta-feira, no Museu da Imagem e do Som (MIS), às 19 horas.


Questionado sobre se o Brasil não corre o risco de também caminhar no sentido oposto à sua tese, com o crescimento de casos de intolerância — ali mesmo, no Leblon, Chico Buarque foi hostilizado por um grupo de jovens, e a articulação, por exemplo, da chamada bancada da bala para aprovar no Congresso Nacional mudanças no estatuto do desarmamento.


Mautner se incomoda. É um otimista que não gosta de reducionismos. “É preciso levar em conta as simultaneidades. Se você quer levar para esse lado, não vamos nem começar”, diz. “Ninguém aqui é criança, né?” Estamos na última mesa do segundo andar do restaurante. O garçom chega com os cardápios. O músico recusa o seu. “Quero uma torta alemã”, diz, pedindo a sobremesa, uma das especialidades da casa. Todos estranham sua decisão de começar o almoço pelo fim. Mas estamos falando de Jorge Mautner. É impossível doutrinar o filho de um judeu austríaco com uma católica iugoslava, criado no candomblé pela babá, que, aos 14 anos, viu o seu singelo quarto de criança transformado num boteco. Pela mãe.


“Ela disse que precisava ‘humanizar’ o filho e montou um bar no meu quarto com uísque, cachaça e gim”, conta. “O que eu aprontava no meu quarto não se fazia na época nem nos bares de Greenwich Village [bairro nova-iorquino habitado por malucos de todos os tipos, ponto de ebulição da literatura beatnik]”, compara Mautner, orgulhoso de suas transgressões juvenis.




O inocente adolescente tornou-se um ébrio e começou a dar à luz seus devaneios. Foi no seu etílico quarto que ele gestou o primeiro livro, “Deus da Chuva e da Morte” (vencedor do Prêmio Jabutiem1962), os seguintes “O Vigarista Jorge”, “Fragmentos de Sabonete”, “Panfletos da Nova Era” e as bases do Partido do Kaos, sua profissão de fé. “Sabe quais são as quatro definições para K.A.O.S?”, pergunta Mautner, para em seguida responder: “Kamaradas Anarquistas Organizando-se Socialmente; Kristo Ama Over Sonora; e Kolofé, Axé, Oxóssi e Saravá”, explica. E a quarta? “Você mesmo inventa.” Não há dúvida: dona Anna Illichi, mãe de Mautner, cumpriu com louvor a missão de humanizar o filho. “Minha educação foi a mais livre e abrangente possível.”


A torta chega. “É uma das coisas boas da Alemanha”, comenta Mautner. É sua primeira refeição do dia. A indisciplina alimentar parece não ter tido efeitos mais imediatos na sua saúde. Mautner, que acaba de
completar 75 anos, mantém o mesmo peso há anos, desde que começou a praticar tai chi chuan em 1958, hábito que segue até hoje, alternando sessões de alongamento e de Pilates, enquanto assiste a noticiários na televisão. “Eu faço exames e nunca encontram nada. Samurai tem dessas coisas”, brinca. “Eu acho que consigo sobreviver um pouco mais. Mesmo assim, tenho inveja de vocês, que vão viver mais de 400 anos”. Reys espanta-se com a previsão. “É isso mesmo.A medicina e a ciência já estão próximas de descobrir a cura para todas as doenças.”


A despeito do bar montado pela sua mãe, Mautner nunca teve sérios problemas com álcool. Aliás, teve, mas foi passageiro. Deixou de beber depois de uma experiência traumática, vivida no seu Greenwich Village particular. Embriagado, agrediu um amigo com faca, por causa de uma discussão sobre futebol.O Corinthians, seu time do coração, havia tomado uma goleada do São Paulo, pelo qual torcia o amigo. “Eu disse: ‘Não tripudia! Não tripudia! Ele continuou provocando e por pouco eu não o matei”, conta. “A faca quase chegou ao fígado dele.”


Mautner já comeu metade da torta alemã. O garçom avisa que o polvo temperado com molho de vinho branco e ervas finas, acompanhado de arroz com brócolis, dá para duas pessoas. Se a experiência de Mautner com o álcool foi breve, interrompida pelos acontecimentos, com as drogas ela se prolongou por muitos anos até que decidisse, de forma voluntária, frequentar os Narcóticos Anônimos (NA). “Cheguei à reunião no NA de mãos dadas com a minha filha, Amora [Mautner], e com o [diretor de televisão] Dennis Carvalho”, conta. Como o transgressor Mautner, o “Vigarista Jorge”, o artista que entrara e saíra de todas as estruturas, se viu de repente “engessado” numa reunião dos Narcóticos Anônimos, cumprindo todos os protocolos e dividindo suas frustrações e dramas com estranhos? “Ali ninguém é mais do que ninguém. Para a morte e para as drogas da morte somos todos doentes máximos”, diz o músico. Ele passa a cantarolar “Coisa Assassina”, o seu libelo contra as drogas, musicado por Gilberto Gil: “Maldita seja/ Essa coisa assassina/ Que se vende em quase toda esquina/ E que passa por crença, ideologia, cultura, esporte/ E no entanto é só doença,monotonia da loucura e morte”.


Hoje, um de seus únicos vícios é comer torta alemã. Mautner pede um café e uma segunda torta. Ele passa a falar com imenso orgulho sobre as façanhas e qualidades de Amora, que teve com a historiadora Ruth Mendes de Sousa, com quem não está mais casado. Amora é diretora de “A Regra do Jogo”, novela das9da Rede Globo. No novo livro, dedicado a nomes como o artista plástico José Roberto Aguilar, a ambientalista Dulce Maia de Souza e o físico Mário Schenberg (1914-1990), Mautner faz um agradecimento especial à filha e à família: “Eu sou o pequeno planeta, que gira em órbita sem cessar ao redor de três estrelas que me irradiam vida: a minha esposa Ruth,a minha filha Amora e minha netinha Julia”.


“Ela [Amora] é impressionante. Além de diretora artística sensível, ela cuida de toda parte executiva, tem habilidade para exercer as duas funções”, afirma. “Eu, por exemplo, jamais tive qualquer aptidão executiva, tanto que só consegui lançar esta antologia por causa do esforço de dois grandes e jovens pesquisadores, que se meteram a fazer o que eu jamais conseguiria: fuçar o meu legado e organizá-lo.”


Mautner começa a devorar a segunda torta alemã da tarde. Em entrevista ao Valor, Amora reconheceu a enorme influência que o pai exerceu em sua vida, sobretudo na maneira de encarar as coisas. “Somos
muito diferentes, mas parecidos em traços importantes, que moldam o meu jeito de viver até hoje. Somos livres. Não nos importamos com a opinião dos outros”, disse.


Mautner sorri, curioso para saber mais. Na mesma entrevista, ela também ressaltou as diferenças entre os dois: “Ele é satisfeito com a vida interna dele, passa boa parte do dia lendo, meditando. Eu sou caótica, difícil me fazer parar”. Abismo, aliás, que era muito maior anos atrás, no auge do “desbunde” do pai, que coincidiu com a adolescência de Amora.


Um dos pontos do documentário “ Jorge Mautner, o Filho do Holocausto” (2012), dirigido por Pedro Bial e Heito D’Alincourt, se dá no momento em que Amora revela que morria de vergonha do pai, quando ele ia buscá-la na escola—um tradicional colégio carioca—usando apenas uma sunga.


“Hoje eu me arrependo, claro, tinha que ter percebido que aquilo que parecia algo tão natural para mim na verdade a incomodava muito”, diz Mautner. Ele diz que segue cometendo erros e eles são necessários. Sempre. “A imperfeição é a medida do ser humano.A perfeição é nazista.”


O músico e poeta aproveita a deixa para falar novamente sobre o Brasil e o seu otimismo sem fim. Mautner não se convence nem com a lista de recentes acontecimentos no país, que é capaz de tornar o mais crédulo dos homens em um cético contumaz. Seu tom de voz é professoral: “Para salvar a democracia, para salvar o Brasil, para salvar o povo brasileiro, veio o Sergio Moro com a Lava-Jato”.


Seria uma ironia? Não é. Para Mautner, seguimos dando o exemplo para o mundo. Mesmo quando a barra pesou — e ele foi uma das muitas vítimas —, como no regime militar (1964-1985), a perda da democracia,
segundo o músico, se deu pela vontade de uma minoria. “O golpe foi dado por apenas 5% do Exército”, afirma. Ele próprio diz ter vivido uma situação curiosa: foi protegido pela cúpula do Segundo Exército assim que o general Castello Branco assumiu a Presidência. Foi levado para uma fazenda em Barretos (SP) para não correr o risco de ser morto pelo CCC, o Comando de Caça aos Comunistas. “Eles disseram que eu, filiado ao PC do B [Partido Comunista do Brasil], colunista do combativo jornal ‘Última Hora’, encabeçava a lista de procurados pelo CCC e, por ser um patriota,um grande escritor, tinham o dever de me proteger.”



Mautner no Degrau, sobre sua adolescência: “O que eu aprontava no meu quarto não se fazia na época nem nos bares de Greenwich Village”


O polvo com ervas finas é servido. Mautner está quase no fim da segunda torta alemã. Pedirá a terceira? Ele prefere um café carioca. Mas o que ele fez durante o tempo vivido em Barretos, hóspede, aos 23 anos, dos militares? “Fiquei conversando sobre história do Brasil e filosofia alemã. Os oficiais eram gente da maior categoria, muito cultos.” Mesmo sendo tratado como hóspede, Mautner só foi “liberado” para voltar a São Paulo três meses depois e mesmo assim sob a condição de não escrever nada que fosse considerado ofensivo ao governo.Não cumpriu as ordens e escreveu, logo em seguida, “Vigarista Jorge”, publicado em 1965, logo proibido pela censura.


O que se seguiu adiante é narrado de forma resumida por Mautner. Mesmo com visto para morar em Cuba, ele, tratado de hóspede a inimigo pelos militares, preferiu exilar-se nos Estados Unidos, onde trabalhou na Unesco até virar secretário literário do poeta americano Robert Lowell. Sua volta para o Brasil coincidiu com o período de abertura política, fase em que se aproximo de Golbery do Couto e Silva (1911-1987), ministro da Casa Civil de 1974 a 1981, tido como um dos ideólogos do golpe de 64.


Pouco se falou até hoje sobre os encontros, quase secretos, de Golbery com parte da classe artística, que incluía, além de Mautner, nomes como os cineastas Júlio Bressane e Glauber Rocha. Este chegou a enviar para a revista “Visão”, em 1974, uma carta em que chama Golbery de “Gênio da Raça”, provocando a ira e a perseguição eterna de setores da esquerda. Mautner não chega a tanto, mas diz, sem rodeios, que os seus inimigos eram outros.


Mautner pede mais um café carioca. Ele afirma, sem receio de ser patrulhado, que no meio da década de 1970 estava muito próximo ideologicamente de um general como Golbery, para ele um legalista, o grande catalisador do processo de redemocratização, que terminaria na Lei da Anistia, em 1979, do que de alguns artistas descolados que insistiam em apoiar a luta armada ou estavam ligados a movimentos e ideais extremistas — dando cada vez mais motivos para os generais da linha dura frearem o processo de redemocratização.


“A contracultura sempre foi nazista. Por aqui, boa parte da esquerda achava que direitos humanos era coisa de burguês”, diz Mautner. “Posso dar aqui vários exemplos.” Ele cita, de fato, vários nomes de peso da cultura brasileira, incluindo um ícone do rock brasileiro e um escritor contemporâneo, expoentes da Sociedade Alternativa, movimento inspirado nos escritos de Aleister Crowley (1875-1947). “Crowley era um nazista de carteirinha”, observa Mautner.




Amigo de fé de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Mautner, que voltou do exílioseis meses antes dos dois baianos, não contou à dupla, na época, sobre os seus encontros com Golbery, mas sabia que, sem eles, dificilmente poderia liderar sozinho um movimento pela redemocratização do país. “Eles eram os protagonistas”, afirma. Mautner relata que forçou o máximo para que Caetano e Gil voltassem logo do exílio, contrariando a recomendação de lideranças da esquerda, entre elas a da socióloga e ativista política Violeta Arraes (1926-2008). “Ela dizia que era preciso ‘dramatizar’ o máximo possível a ditadura e manter Caetano e Gil em Londres fazia parte dessa estratégia.”


Quando Gil e Caetano voltaram e, anos depois, já no processo de abertura política, Gil gravou uma versão (“Não Chore Mais”) para “No Woman, no Cry”, de Bob Marley, citando os amigos presos, “amigos sumindo assim”, a linha-dura do Exército, segundo Mautner, armou (em julho de 1976) para que ele fosse preso por porte de maconha, em Florianópolis. “A imprensa todinha ficou do lado de Gil, incluindo os grandes jornais e redes de televisão, uma prova de que interessava a uma parte mínima da sociedade, incluindo as próprias Forças Armadas, e setores da esquerda radical, manter um regime autoritário por muito tempo”, afirma. “Nossa tradição não é bélica. Somos o país do marechal [Cândido] Rondon [1865-1958], um militar conhecido pela seguinte frase: ‘Matar jamais, morrer se for preciso’.”


São quase 4 da tarde. Não há mais nenhuma mesa ocupada na parte de cima do Degrau. Mautner atende gentilmente ao pedido da fotógrafa para que todos se desloquem para a mesa ao lado, onde a luz e os ângulos são mais convidativos. A fotógrafa, que acabara de chegar, pergunta pelo prato de Mautner— é preciso, como é praxe nesta seção, fazer um retrato dele. O músico solta uma gargalhada: “Eu comecei e acabei pela sobremesa”. O garçom avisa que ainda há um pouco de polvo e que pode montar o prato para o retrato, desde, claro, avisa o repórter, que ele seja comido pelo entrevistado. “Ah, não estou com vontade”, afirma Mautner, que não demora a sugerir uma solução para o impasse: “Posso pedir mais uma torta alemã?”



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Bengala sensorial ajuda na locomoção de cegos

Bengala sensorial ajuda na locomoção de cegos  


Projeto de alunos da UNA tem sensores que detectam obstáculos e avisam o deficiente visual por meio de apito e vibração na manete. Conceito busca oferecer modelo de baixo custo

 

Bruno Freitas
Estado de Minas: 02/02/2016

 

O coordenador do curso superior de tecnologia em automação e manutenção industrial, Cleiton Miranda, e os alunos Wender Cardoso, Juliano César Almeida e Luiz Guilherme Costa da Silva (Túlio Santos/EM/D.A Press)
O coordenador do curso superior de tecnologia em automação e manutenção industrial, Cleiton Miranda, e os alunos Wender Cardoso, Juliano César Almeida e Luiz Guilherme Costa da Silva


Vida de deficiente visual exige audição, tato e sentidos apurados. E por que não uma boa injeção de tecnologia? Pensando assim, alunos do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte, elaboraram proposta diferente da já existente para dar aquela ajuda aos cegos no dia a dia: uma bengala sensorial. Indispensável para quem não enxerga ou tem dificuldades em ver, o bom e velho acessório recebeu nova roupagem que detecta o ambiente por meio de sensores que emitem sinais transformados em vibração, proporcionando mais autonomia e segurança. Uma manete vibratória e um apito sonoro atuam então como sentidos complementares ao portador da deficiência visual.

A ideia, contudo, não é totalmente nova. Outros projetos universitários já foram desenvolvidos e há bengalas importadas com recursos semelhantes à venda. Mas a sugerida pelos mineiros se diferencia pela facilidade e baixo custo de produção – R$ 300, ante os valores de R$ 10 mil a R$ 20 mil para modelos produzidos fora do Brasil. O preço tende a diminuir com uma possível certificação e fabricação em escala industrial. Há ainda ideias de novas variações da bengala sensorial, com recursos como GPS, conexão com aplicativos como o SIU Mobile (informações sobre ônibus) da empresa que gerencia o transporte público e o trânsito da capital mineira, a BHTrans, e áudio.

O projeto foi desenvolvido por seis alunos na conclusão do primeiro ano do curso de manutenção e automação industrial da UNA Unidade Barreiro, sob coordenação do professor Matheus Gravito. O começo do projeto, conta um dos envolvidos, o estudante Wender Cardoso, de 24 anos, veio à cabeça quando ele viu uma idosa deficiente visual ser vítima de um buraco de rua no Centro de BH. Quando passava por uma calçada irregular, a senhora se desequilibrou, caiu e se machucou, despertando a atenção do estudante. “Na hora, bateu a ideia, mas não colocamos em prática. Em meados do ano passado, o professor Gravito nos passou uma demanda de um projeto voltado à comunidade, quando pensamos então em desenvolver a bengala para cegos”, conta Wender.

Desde o início, foi mantida a proposta de desenvolver algo que fosse de baixo custo. Para isso, a bengala sensorial usa componentes reaproveitados. O tubo de alumínio que serve de base veio de cortinas residenciais; as roldanas, de carrinhos de indústria; e os sensores, de sensores de marcha a ré usados em automóveis. Para completar, o sensor de vibração aplicado na manete é o mesmo de joysticks de videogames. Uma chave de liga e desliga industrial é responsável por acionar o dispositivo. Ao todo, foram gastos cerca de quatro meses de desenvolvimento, contando com o apoio de uma empresa de montagem industrial, que cedeu espaço e equipamentos.


Juliano Almeida faz a demonstração de como usar a bengala criada em BH
 (Túlio Santos/EM/D.A Press)
Juliano Almeida faz a demonstração de como usar a bengala criada em BH

Um dos principais desafios encontrados foi a escolha do tipo de bateria e dos sensores, para evitar interferência. “Alguns sensores se mostraram bastante sensíveis ao alumínio, apitando de forma ininterrupta quando se aproximavam. Fizemos um circuito na caixa da bengala para que essa bateria pudesse ser recarregada em tomada residencial”, explica o estudante Luiz Guilherme Costa, de 26. O grupo não chegou a medir o consumo da bateria, mas, como se trata de uma bateria de longa duração, Luiz estima que a bengala possa ser usada ao longo de 12 horas, com um tempo de recarga estimado em três horas.

Durante a fase de desenvolvimento, a bengala chegou a ser testada com deficientes visuais e a avaliação foi positiva. “Tivemos algumas críticas construtivas e vamos trabalhar nelas. Um casal de deficientes visuais testou a bengala e achou bastante interessante. Agora é trabalhar no projeto para poder melhorá-lo”, diz Luiz. “Ficamos satisfeitos por unir o conhecimento adquirido no curso com a tecnologia para contribuir para a qualidade de vida dos deficientes visuais”, conclui Wender.

Para o coordenador do curso, Cleiton Geraldo Mendes Miranda, o projeto vem ao encontro da necessidade de resolução de problemas de acessibilidade. “Os alunos começaram o projeto com o desenvolvimento do protótipo. Temos parcerias e a nossa ideia é apresentá-lo a empresas para buscar viabilizá-lo. Na próxima etapa, vamos ver se colocamos os alunos do projeto em cursos de extensão para aprimorar. Nossa intenção é dar visibilidade para que empresas interessadas no projeto possam fazer parcerias conosco e a gente consiga atender ao público final.”

 Parceria visa à aplicação real


Após a apresentação do projeto à banca avaliadora, os universitários esperam agora fechar parceria para uma possível certificação e aplicação industrial. Mas eles não pararão por aí. Para os próximos meses, preveem fazer aperfeiçoamentos e testes com novos recursos. “Até existem outras bengalas sensoriais à venda no Brasil, mas são todas importadas. O investimento do protótipo foi baixo (em torno de R$ 300). Nossa visão é fazer um produto que seja acessível a todas as pessoas”, salienta Luiz Guilherme Costa. O próximo passo será desenvolver novas variações da bengala, com itens como GPS e conexão com aplicativos como o SIU Mobile da BHTrans. Além disso, o modelo inicial deve dispensar o apito, considerado incômodo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A página virada na tela - Josélia Aguiar

Valor Econômico - 29/01/2016

LITERATURA

Em um mercado editorial retraído, autores brasileiros ampliam a repercussão de suas obras negociando adaptações para o audiovisual. 


Por Joselia Aguiar, para o Valor, de São Paulo



Sérgio Machado é um diretor de cinema que costuma encontrar na literatura ideias para filmes. Já levou
para as telas “Quincas Berro d’Água”, de Jorge Amado. Prevê começar a filmar neste ano uma história saída da antologia de contos “A Cidade Ilhada”, de Milton Hatoum. Por agora, está em cartaz em todo o país com “Tudo o Que Aprendemos Juntos”, que tem como mote uma peça de Antônio Ermírio de Moraes sobre a experiência do Instituto Baccarelli na formação de jovens músicos em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Entre projetos para concluir mais adiante, há uma nova versão, em filme de animação, de “A Arca de Noé”, clássico infantil de Vinicius de Moraes.


“Nos intervalos de produção, vou buscar títulos com os quais posso me identificar”, conta ao Valor, na filial de uma grande rede de livrarias, na avenida Paulista. “Tento acompanhar o que posso de ficção contemporânea.” A busca por títulos de autores brasileiros não é exclusiva. Outros diretores e produtores, tanto de cinema quanto de TV, têm procurado a ficção nacional para seus projetos. Num mercado editorial de tiragens que não crescem, escritores  são cada vez mais procurados — ou procuram via agentes literários — para vender direitos autorais para adaptações.


“O ano de 2015 foi até que bem ativo no audiovisual”, conta Lucia Riff, da maior agência literária do país—para esse tipo de negociação, atua em parceria com a Film2B, de Ana Luiza Beraba, Eduardo Senna e Raquel Leiko. “Mesmo com a crise, não passamos um mês sem fechar dois a três contratos de cinema, o que me pareceu bastante bom.” Isso está relacionado, em parte, à recente lei que determinou a exibição de conteúdo nacional por canais a cabo. “Outro belo estímulo foram os núcleos criativos da Ancine, uma forma bem interessante de o mercado financiar novos projetos.” Quanto a valores, não depende apenas do autor ou título. “Depende do projeto em si: orçamento, formato, desdobramentos possíveis.”

 Lucia, da agência literária Riff: 2015 teve contratos para cinema todo mês
 O produtor Teixeira contratou com Lucia obras de Maria Valéria e Ferroni


Entre os recém-assinados, tanto “Quarenta Dias”, de Maria Valéria Rezende, vencedor do Prêmio Jabuti, quanto “Das Paredes,Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam”, de Marcelo Ferroni, foram contratados por Rodrigo Teixeira, da RT Features.A obra de Jorge Andrade, pela Rede Globo. “Tudo ou Nada”, a história de Eike Batista escrita por Malu Gaspar, ficou com Mariza Leão, da Morena Filmes. “O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo”, de Oswald de Andrade, com Joana Mariani. A série “Amor Veríssimo”, a partir de crônicas de Luis Fernando Verissimo, seguirá em nova temporada realizada pela Conspiração Filmes. “Borges e os Orangotangos Eternos”, do mesmo autor, teve direitos adquiridos por Paulo Boccato, da Glaz Entretenimento e Neoplastique.



A procura por conteúdo nacional coincide com o surgimento de uma geração de escritores que têm vocação ou pelo menos curiosidade com o audiovisual. “A literatura contemporânea tem autores cujas obras têm forte influência do próprio cinema, dos seriados de TV e dos videogames,o que torna essa aproximação praticamente inevitável”, diz Marianna Teixeira Soares, à frente da agência literária MTS. Títulos que gerencia, “Tempo de Espalhar Pedras”, de Estevão Azevedo, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura; “Quatro Soldados”, de Samir Machado de Machado; e “F”, de Antônio Xerxenesky, estão comos direitos de adaptação vendidos. Neste ano começa a produção do filme baseado em “Hoje Está um Dia Morto”, de André de Leones.

“Quando o autor tem alguma experiência com o audiovisual participa de alguma forma do processo de adaptação, muitas vezes nas equipes de desenvolvimento ou mesmo na confecção do roteiro”, conta a agente literária. “Autodidata em roteiro”, como se define, Marisa Ferrari é um dos casos de autora interessada em participar da adaptação. Relata que seu romance histórico “Arrabal e a Noiva do Capitão” nasceu, de início, como uma ideia para o cinema. Justamente esse potencial audiovisual chamou a atenção de sua agente literária, Luciana Villas-Boas, da VBM Agência e Consultoria Literária, que conseguiu negociá-lo com a TV Globo — produção ainda sem data para iniciar.

O cinema por vezes se torna mesmo um caminho paralelo. João Paulo Cuenca, que vendeu direitos de adaptação e escreveu um seriado para a mesma emissora — “Afinal, o Que Querem as Mulheres”, em 2010 —, acaba de fazer seu primeiro longa-metragem como diretor, “A Morte de J.P. Cuenca”.O filme já passou pela roda dos festivais no país e teve estreia europeia. Cuenca diz acreditar que, nesse nicho, ainda há muito projeto para pouca realização. “Como tenho interesse em cinema desde sempre, resolvi
eu mesmo estudar, tocar minhas coisas e dirigir”, diz. “Já tenho outros filmes na manga. Estou trabalhando em pelo menos outros dois projetos”, anuncia. “É possível que nos próximos anos eu me dedique igualmente ao cinema e à literatura.”

 Hatoum já tem quatro obras que estrearam ou estão em produção em cinema ou TV: escritor se diz “um cinéfilo que nunca se aventurou a escrever roteiros”

Há os que prefiram manter os caminhos separados.Cercado hoje por diretores - são quatro obras suas que estrearam ou já estão em produção em cinema ou TV - , Milton Hatoum se diz “um cinéfilo que nunca se aventurou a escrever roteiros”. “Não me meto no roteiro nem na filmagem. Por que faria isso? Não domino essas linguagens nem sinto ciúme dos livros.” Por diversão, fez uma ponta como pescador em “Órfãos do Eldorado”, de Guilherme Coelho, que entrou em cartaz no fim do ano passado. Para o filme de Sérgio Machado, escreve uma história complementar ao conto “Adeus do Comandante”, que dá origem ao filme. Ele se reserva, mas todos querem seus palpites.


Na adaptação de obras de Hatoum, quem cuida do roteiro é a experiente Maria Camargo. A expertise desenvolve-se desde que preparou o roteiro de seu “Dois Irmãos” para a minissérie que Luiz Fernando Carvalho começou a gravar para a Globo no ano passado. “Sempre fui muito leitora”, conta a roteirista, para quem adaptar obra de autor consagrado é tarefa de “muita responsabilidade”. Entre trabalhos recentes, fez o “Correio Sentimental”, de Clarice Lispector, para o “Fantástico”. Encantada ao ler “A Vendedora de Fósforos”, de Adriana Lunardi, decidiu ela mesma fazer a produção, projeto que está tocando ao mesmo tempo.


Se hoje há uma geração de autores brasileiros que floresce, o mesmo se pode dizer da de roteiristas. “Em dez anos, mudou bastante. É um mercado em expansão, com muita gente talentosa, mas ainda falta formar gente. Não só roteirista, também produtor e diretor com visão mais ampla”, comenta Maria. Por ora, está trabalhando numa versão de “Fim”, de Fernanda Torres, para José Luiz Villamarim, na Globo.


Fernanda: versão do seu romance “Fim”está sendo feita pela experiente Maria Camargo para a Globo


O ofício do roteirista de fato passa “por um crescimento lento, proporcionado pela valorização do roteiro dentro do processo de produção audiovisual e um crescimento da produção nacional”, avalia Iana Paro, roteirista brasileira que também leciona roteiro na Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICT), de San Antonio de los Baños, em Cuba. Seu primeiro longa, “Eu Te Levo”, dirigido por Marcelo Müller, tem estreia prevista para este ano. “Falta valorizar o trabalho do roteirista em si, de tempo e remuneração, além de rever as regras que movem a questão dos direitos autorais.” Conta que tem crescido a procura de brasileiros por cursos e oficinas de curta duração — está aberta agora a seleção de um dos mais concorridos, durante o Carnaval, ministrado pelo cubano Eliseo Altunaga na EICT.

“Ainda é muito difícil ser roteirista no Brasil. É um trabalho delongo prazo e solitário”, diz Carolina Benjamin, roteirista, produtora e curadora do Festival Adaptação, no Rio, que, nos últimos anos, tinha se tornado um evento interessante não só de exibição como de formação, com participantes de todo o país. Por ora, a falta de financiamento inviabiliza a realização de novas edições. “Antes, havia alguns editais de fomento com linhas para festivais,como a SEC-Rio, a Rio Filme e a Petrobras, que não foram reabertas. E o Fundo Setorial do Audiovisual, que hoje é o grande fomentador do audiovisual no Brasil, não tem linhas para festivais.”

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